Cadê você
para me embalar,
fazer esquecer?
Para onde foi;
que me deixa sozinha,
que leva minhas histórias?
Vê se vem logo,
para me reabilitar,
fazer acontecer.
Para de manhã
Tudo valer a pena.
Chega pra cá e fecha meus olhos!
Bruta Flor
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Ramificam
E volto a derramar o que não consegue se contentar em ocupar simplesmente todo o meu espaço. De amor tão sublime, brotou um galho torto, exótico e daninho; deste galho florescem corpos de aroma embriagante. Cipós que, ao não se enxergarem como cipós que sugam a seiva e extinguem a vivacidade do hospedante-compulsório, acabam por apontar os ramos em riste para as os pedaços da árvore como se estes fossem os verdadeiros malfeitores. Mas os pedaços acusados de tamanho mal compartilham com a árvore a mesma seiva, as mesmas raízes e o mesmo tudo. O cipó faz parte, mas não faz. Compartilha o mesmo espaço, mas não está desde sempre. Tem intimidade mas não é o próprio. Mas o velho tronco tem suas percepções alteradas e o cipó parece lhe dar mais beleza, mais verde. Então, os pedaços saem cortados, sangrando. Eles sangram e se doem.
Mas mesmo assim, vão insistir em brotos. E com a mesma fé no amor sublime que insiste.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Por tão pouco
Quando dezembro de 2010 chegou, a lembrança de milhares de pessoas atingiu-me também: 30 anos da morte de Lennon. Um lunático teve a desfaçatez de tirar a vida de um cara que estava numa fase maravilhosa, após dedicar-se a uma igual maravilhosa jornada; a de ser pai do Sean em tempo integral.
Mas o mais estranho é ter a sensação de que por conta de três meses (!), nós dois não dividimos o planeta; Maria da Glória só iria me dar à luz em março seguinte, três meses e dois dias depois do fatídico dia.Pode parecer besteira, mas me doi um pouco esse hiato, esse intervalo tão pequenininho em que habitamos o mesmo espaço mas não ouvíamos os mesmos sons nem sentíamos os mesmos gostos. Naquele dia de dezembro de 1980, levei um susto junto com minha mãe, mas não sabia do que se tratava; não cheguei a ver as lágrimas do mundo, nem mesmo sem entender. Só peguei a rebarba e a surpresa que ainda deviam ressoar nos corações do mundo.
Só agora consigo externar minha estupefação com a proximidade (ou não) de eventos tão distintos e dissonantes de nossas vidas. São as leis da existência, mas que é brabo isso é...
Acabo compartilhando uma canção que não é do Lennon, mas uma versão inacreditável de uma música gravada pelas Ronettes, na década de 1960. Sim, aquela do "be my, be my baby..."
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Cheia de Vida
É toda viva, assim como a arte-ciência que tanto ama.
Tudo cabe em seu coração:
a ameba tem beleza,
um rio é seu paraíso,
a Polly é sua riqueza.
Um lar que sempre atrai.
Logo ali:
saio das Laranjeiras e contente vou ficando até chegar a São João.
Bato ponto no feijão, na fritada e nas inúmeras risadas:
É festa o ano inteiro!
Lá na Museu, de flores,
com a irrebatável alegria,
"Tranquilo, a gente se vê logo."
Lá no Museu, chocolate derramado,
com a verdadeiro sorriso,
"Que bom que estamos aqui !"
Gostei de cara...
Fiel, firme, sem ser formal, não é?
Ainda bem!
É toda viva, assim como a ciência-arte que tanto ama.
Tanto, que lhe escolheram um nome na medida:
"Aquela que é cheia de vida; vivaz: Viviane."
Tudo cabe em seu coração:
a ameba tem beleza,
um rio é seu paraíso,
a Polly é sua riqueza.
Um lar que sempre atrai.
Logo ali:
saio das Laranjeiras e contente vou ficando até chegar a São João.
Bato ponto no feijão, na fritada e nas inúmeras risadas:
É festa o ano inteiro!
Lá na Museu, de flores,
com a irrebatável alegria,
"Tranquilo, a gente se vê logo."
Lá no Museu, chocolate derramado,
com a verdadeiro sorriso,
"Que bom que estamos aqui !"
Gostei de cara...
Fiel, firme, sem ser formal, não é?
Ainda bem!
É toda viva, assim como a ciência-arte que tanto ama.
Tanto, que lhe escolheram um nome na medida:
"Aquela que é cheia de vida; vivaz: Viviane."
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Esquizofrenismo - com a licença de Kleiton e Kledir em Almôndegas
Quem é esse rapaz, que tanto esquizofreniza,
que tanto me convida pra carnavalizar?
Que tanto se requebra num céu de salto alto,
que usa anéis e livros pra intelectualizar?
Que acena e manda beijos pra todos os seus horrores,
que vive sempre em cores pra teatralizar?
A minha mãe falou que é um tipo perigoso,
Que vive de ironia, falando blá-blá-blá.
O meu pai me falou que um dia viu o cara
Num cabaré da zona fingindo que era o tal.
Quem é esse rapaz, que tanto esquizofreniza,
Que tudo anarquiza, pra dissocializar?
Com mil e um vocábulos, puxando seu verbete,
Que lembra um porrete a me cutucar?
Cuidado, aí vem ele; é um místico, é um xereta.
Abana, abana, que é bocó-pinel.
Eu pensei que todo mundo fosse meio assim bocó-pinel...
que tanto me convida pra carnavalizar?
Que tanto se requebra num céu de salto alto,
que usa anéis e livros pra intelectualizar?
Que acena e manda beijos pra todos os seus horrores,
que vive sempre em cores pra teatralizar?
A minha mãe falou que é um tipo perigoso,
Que vive de ironia, falando blá-blá-blá.
O meu pai me falou que um dia viu o cara
Num cabaré da zona fingindo que era o tal.
Quem é esse rapaz, que tanto esquizofreniza,
Que tudo anarquiza, pra dissocializar?
Com mil e um vocábulos, puxando seu verbete,
Que lembra um porrete a me cutucar?
Cuidado, aí vem ele; é um místico, é um xereta.
Abana, abana, que é bocó-pinel.
Eu pensei que todo mundo fosse meio assim bocó-pinel...
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