sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tem que sair

Sinto algo escapar pelas frestas
que estão entreabertas há um tempo.
Crescendo, crescendo, vai tomando espaço
como hélio no balão.

Vontade de gritar não-sei-o-quê.
Fissura de apertar tudo o que amo no peito
e tudo que não amo para fora daqui.
Tal copo cheio que se recusa a mais gotas.

Entalam as palavras que quero escrever
E se confundem as que quero gritar.
Não encontro. O título. O tom
O ritmo. A forma.

Euforia e “não-tô-a-fim-de-nada” brigam
feito camelô de DVD na Uruguaiana.
Os planos se auto-sabotam em mais uma tarde que se vai.
Tentam de noite voltar. Por ora, em vão.

Até que escuto uma canção.
Acima, o sono da Jade; felino, sem regra.
E a coisa toda sai, violenta, sem educação, sem motivo.Sai a vida levando um pouco do meu dentro.
Vai! Se cair, não passa do chão.

2 comentários:

Elis Barbosa disse...

"Entalam as palavras que quero escrever
E se confundem as que quero gritar.
Não encontro. O título. O tom
O ritmo. A forma."

Te compreendo mais do que gostaria!

"Vai! Se cair não passa do chão."

O bonito desse fim é ele ignorar a distância imensa que existe entre qualquer lugar (estado) e o chão. Cheio de coragem.

Beijo carinho,
Elis

Anita Fernandes disse...

Elis, Elis...

Tal distância é requisito para a queda, para o tombo nosso de cada dia, não é? Afinal, vive-se! Rs.

Obrigada pela linda observação...

Beijo,
Anita.