domingo, 8 de março de 2009

X

Há cerca de 29 anos, recebi um presente de J.F.: um cromossomo X! Ah... Era um começo de uma deliciosa jornada. Menina. Garota. Mulher.

Mas ser mulher neste século meio estranho dá umas crisezinhas, umas confusões. Algumas piram: umas viram mulherzinhas infelizes e aprisionadas num calabouço de regras e normas de boa-conduta; outras, viram predadoras infelizes e aprisionadas num calabouço de regras e normas de boa-conduta. Que irônico, né? De qualquer forma, sempre há uma camisa-de-força.

No entanto, há aquelas que são simplesmente mulheres. E isso, por mais óbvio, clichê e redundante que possa parecer, exige peito! Sei que é muito chato posar de vítima, alegoria que não devemos vestir nem aceitar que nos vistam, mas é necessário colocar as coisas em baixela limpa. Agir como fêmea da espécie humana, esta espécie tão esquisita, não é das coisas mais triviais. Fantasmas como o medo de ser maltratada, corna e empregada como a avó e de ser mal-falada como as mulheres que ousam ouvir a voz do desejo e falar com todas as letras o que querem sempre, andam de mãos dadas.
Nessa ciranda de medos, aflições e cuidados extremos pretensamente essenciais à vida de uma mulher que mereça respeito e um relacionamento estável, erramos a mão.Resultado: deixamos de atentar para características que, no final das contas, foram de vital importância para a evolução do homem: a intuição, a força (carregar, parir e amamentar uma pessoa não é uma tarefa das mais fáceis), a doçura...

E ser mulher vai mais além do que ser mulherzinha ou predadora: é assumir e bancar o que quer. É isso que algumas descobrem aos 30, outras aos 45, e muitas nunca descobrem. Deixá-lo escolher o local de um chopinho é legal, enquanto você se arruma para ele te pegar em casa. Cozinhar para ele é bom; depois vocês arrumam a cozinha juntos. Dar vazão ao tesão quando der na telha - no primeiro momento ou depois de um mês é uma delícia, desde que haja respeito e amizade genuínos. Isso tudo faz parte de uma dança, na qual homem e MULHER acabam se entendendo. É claro que durante os passos iniciais, alguém pisa no pé do outro - encontramos porcos chauvinistas, filhinhos de mamãe mal-criados, moralistas disfarçados de homem-sem-preconceitos (de longe, este é o pior tipo)... Mas quando assumimos nossa condição de indivíduos dotados de um par de seios que alimentam, de quadris que enlouquecem e de cérebros que produzem maravilhas, conseguiremos encarar este mundo que alguns equivocados chamam de "masculino". Sejamos simplesmente mulheres, estes seres encantadores por terem TPM, e ainda conseguirem dirigir ônibus, ensinar, escrever livros e realizar complexas cirurgias. Azar de quem interpretar mal. Azar de quem confundir as coisas. Azar de quem não quiser conhecer além das curvas apreciadas em uma noite. Eu sou mulher sim; e ninguém me tira este prazer.

Bendita seja aquela noite de inverno, em um certo 1980...

2 comentários:

Amanda Teixeira disse...

"Só tenho inveja da longevidade e dos orgamos múltiplos"

Muito bom para (re)pensar nosso gênero e a atitude que temos diante dele.

Tô exercitando as exigências do seu texto!!!rsrs

Ai, meu Deus!!! Vc me deixou em crise!!!

Pedro Starling Duarte disse...

Ixx lí quase todas e essa foi a que eu mais entendí!! :D

muuuito manero , vc escreve bem!

Obs: "X" é o nome de uma música do System Of A Down ,abaixe o volume que tem mta gritaria (eu gosto):D
link abaixo :

http://www.youtube.com/watch?v=rgmMjdSIu-U&feature=related